Ontem foi um feriadinho incrível, me deixou com um estado de espírito leve e descontraído, quando pela tarde assisti à comédia policial melodramática "Tacones lejanos" (1991) do Almodóvar, mas postarei algo sobre em outra oportunidade, pois vim aqui registrar o meu encontro com "Melancholia" (2011) do esquisitão Lars Von Trier. Esse último merece um post de urgência de coceira visto que me deixou enfeitiçada pelo roteiro e pela plástica do filme.
Curiosamente a minha quinta-feira foi tão binária e bipolar quanto o filme em questão.
"Melancholia" quase me decepciona no início ao mostrar cenas de planetas se chocando e astros reluzentes, bem no estilo "Árvore da vida" (2011) do Terrence Malick , que eu detestei(depois eu constataria que ambos os filmes se opõem - enquanto um trata da origem, o aoutro se debruça sobre o fim). Então,sou precipitada e acabo querendo tirar conclusões antes das premissas. Uó! Contudo, minha percepção diante daquela película se transformou rapidamente no decorrer, da ainda, introdução. Um verdadeiro espetáculo, quadros em que você se esforçava para conseguir discernir o movimento do estático.
Sendo este o meu terceiro filme do Von Trier, ainda me esforço um bocado para entrar no universo dele. Racionalizei demais, o que deveria ser apenas sentindo, como asseverou uma amiga. Mas não havia como ser diferente, o elemento dramático e psicológico que também se encontra presente em "Dançando no escuro" (2000) e "Dogville" (2003), por exemplo, nos impõe a racionalizar sobre a nossa miserável condição humana, perturbação e falta do sentimento de si. Incrivelmente bem interpretada por Kirsten Dunst. (essa personagem só não supera a vampirinha from hell Cláudia de "Entrevista com o vampiro"- risos). Dizem ter sido parte de uma experiência vivida pelo próprio diretor, em uma de suas fases depressivas e sessões de psicanálise...
Freud percebeu que havia uma perturbação real da libido na melancolia, uma hemorragia da libido, uma perda real na melancolia. Hemorragia da libido que pode ser compreendida como um ataque ao desejo e que faz com que a sombra da morte caia sobre o sujeito (objeto) ("Rascunho G", 1895 ).
No melancólico, como o objeto a enquanto causa de desejo está fora do jogo, o que fica é a pura perda e a sombra da morte que cai sobre o sujeito que passa ao ato suicida, joga-se pela janela, isola-se na indiferença, no desapego, na abulia, no silêncio, na catatonia, na vivência de perda, de culpa, na dor de existir. (FERRARI, 2005).



Querida prima, faço das suas palavras as minhas. O filme catástrofe do Von Trier me agradou muito mais do que aquele que busca a gênesis entre existir vs. ser do Mallick. A natureza má e perversa do ser humano é -quase- sempre muito bem abordada pelo diretor (inclusive indico o ótimo "Anticristo"). Talvez o fato do sentido da vida de alguma maneira ter sido atrelada ao divino tenha sido um dos motivos de eu não ter gostado da Árvore da Vida.
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